sábado, 31 de outubro de 2015

COÇAR OU NÃO COÇAR

Hoje é sexta-feira 13 e... não, pera. Errei a data. hoje é dia 31 de outubro! Halloween!
Como hoje é uma data "especial", tentei algo diferente. Conhecem CreepyPasta? Não? Então uma rápida explicação: CreepyPasta nada mais é do que uma história de terror. Simples, não?
Aposto duas dracmas de ouro que essa história não te assustará, mas mesmo assim espero que leiam por diversão.

Bom, chega de enrolar, boa leitura e até a próxima.



COÇAR OU NÃO COÇAR

Sabe aquelas coceiras que você tem subitamente em qualquer parte do corpo? Que começa do nada, coça pra caramba e some do nada? Então, ouvi de um amigo, Gabriel, que essas coceiras são causadas por coisas sobrenaturais. Pura conversa, ele apenas queria era me assustar, pelo menos foi o que eu pensei. Dera eu ter dado ouvidos a ele.
Era um fim de tarde do dia 31 de outubro, coincidência não? Eu estava voltando da farra com meus amigos e resolvi seguir por outro caminho, pois li em um artigo cientifico que alterar a sua rotina, mesmo que um pouco, ajuda a melhorar sua memória, e eu realmente precisava disso.
Resolvi ir por trás da igreja, pelo cemitério. Eu sei, não é uma boa ideia, mas ainda estava sol, não que eu acredite nessas coisas de fantasmas e o caminho era um atalho.
O cemitério era grande, extenso e cheio de covas. Haviam covas de vários tipos e tamanhos de diversas famílias. Quando eu estava no meio do caminho, minha mão começou a coçar loucamente. Isso acontecia de vez em quando, mas dessa vez eu tive que parar para coçar.
Olhei para minha mão, procurando onde seria o melhor lugar para coçar e aliviar essa irritação. Cocei e o alivio veio de imediato. Então ouvi um barulho, parecia que alguém estava se coçando, não entendi como consegui ouvir aquilo.
Olhei em volta e nada, foi quando eu percebi que o sol já havia ido embora, eu estava no meio do cemitério com apenas a luz do luar. Graças a Deus eu vivia no interior e a luz da lua e das estrelas iluminavam bem.
Fiquei apreensivo, confesso, mas respirei fundo e voltei a andar. A estrada de terra do cemitério ia em direção a uma grande floresta, não me lembrava disso. Olhei para trás e pensei, o que é pior? Um cemitério ou uma floresta? Cheguei à conclusão de que ambos eram terríveis. Sem escolha, segui o caminho e entrei na floresta.
A floresta era densa, mas os galhos e folhas davam espaço suficiente para a lua iluminar a estrada, assim eu não me perderia. Subitamente ouço novamente aquele barulho de alguém se coçando, só que dessa vez estava mais forte.
Segui o barulho floresta adentro até uma clareira, não muito distante da estrada. Sentada na clareira, se coçando, havia uma criança. Ela estava vestida com um pequeno vestidinho branco com babados, seus cabelos eram cacheados de tonalidade acinzentada, deve ser por causa da luz da lua. Não consegui ver seu rosto pois seus cabelos o escondia. No chão havia uma névoa que cobria até o meio de minhas canelas, isso não estava lá antes então andei cuidadosamente em direção a menininha.
- Menininha, você está bem? Precisa de ajuda?
Ela nada me responde, apenas continuou coçando sua mão, cada vez mais forte. Preocupado, tentei impedi-la.
- Melhor você não se coçar tão forte assim, vai acabar abrindo uma ferida e feridas doem mais do que coceira.
Ela então parou. Achei que tinha conseguido sua atenção. Falsas esperanças, ela começou a coçar a parte de trás da cabeça de uma forma violenta, parecia que ia arrancar tufos de cabelo. Resolvi usar a força para para-la, mas quando fui me aproximar, um grito de dor soou nas minhas costas. Virei rapidamente para ver o que era, não havia nada ali então voltei minha atenção a garotinha, mas ela não estava mais lá. Sumiu, sem deixar rastros.
Meu pé começou a coçar, e muito. Tentei ignorar a coceira pois a situação não era boa, sai da clareira em direção a estrada, não encontrei a estrada. Eu consegui me perder naquele pequeno intervalo de tempo em que sai da estrada, genial.
Meu pé não parava de coçar, o barulho de alguém se coçando voltou mais alto do que nunca e vinha de todos os lados. O barulho era ensurdecedor e ao mesmo tempo enlouquecedor, o terrível som se transformou de coceira a rasgos de pele, gritos de agonia e de dor, minha visão começou a girar, meu corpo todo começou a coçar. Coloquei minhas mãos em minha cabeça em uma tentativa vã de parar tudo.
Então, como se minha ação tivesse funcionado, tudo para. Um silencio mortal pairava na floresta, olhei em volta e nada vi além de árvores. A névoa no chão ainda permanecia, mais densa. Senti que alguém me observava pelas costas. Me virei rapidamente e me deparo com a garotinha.
Ela estava diferente, seus braços estavam com manchas vermelhas, assim como a saia de seu vestidinho, parecia flutuar e seu rosto continuava escondido pelos cabelos, mas não se coçava mais.
A garota esticou o braço, pude ver que haviam manchas vermelhas em seus dedos, ela apontou para mim e depois apontou para o seu próprio braço e se coçou. Senti uma coceira terrível bem no lugar onde ela coçou.
Comecei a me coçar enquanto a garotinha continuava parada na minha frente. Ela então coçou sua barriga e minha barriga começou a coçar. Como se ela quisesse me zoar, ela coçou bem no meio das costas, e adivinha? Minhas costas começaram a coçar da pior forma possível.
Eu não conseguia parar de me coçar, a sensação de coceira não passava e sempre ficava mais forte, como se ela viesse por baixo da minha pele, comecei a coçar mais forte, tentando alcançar o ponto exato. Onde eu coçava, começou a ficar com manchas vermelhas, eu estava me machucando e não conseguia parar.
Então ela começou a levantar o rosto, pude ver seu queixo e logo acima um grande sorriso, mas logo percebi que aquilo não era um sorriso e sim seus dentes expostos, sem pele alguma, sem lábios. Seu nariz ainda continuava ali, mas não haviam olhos, apenas buracos.
Ela coçou um dos buracos, o que fez meu olho coçar e inevitavelmente comecei a coçar até começar a perder a visão daquele olho. A garota coçou o outro buraco e eu fiz o mesmo até perder a visão do segundo olho. Eu coçava enquanto gritava de dor, não conseguia parar, mesmo que isso me machucasse.

Pensei que se eu não visse onde ela se coçava, eu não me coçaria, mas me enganei profundamente. Ela coçou o próprio pescoço, na parte da frente pois foi onde a terrível coceira começou. Eu só parei de me coçar quando cortei minha própria artéria. E até hoje sinto a sensação de coceira pelo meu corpo, mesmo não tendo mais um.

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