Imagina que louco você ir acampar pela primeira vez com seus amigos, na floresta, de verdade, a noite, com tendas, fogueiras, lanternas e repelentes. Imagina então se algo estranho acontecesse, alguma coisa caindo do céu em plena noite, queimando como uma bola de fogo. E esse negócio cair bem perto do acampamento de vocês, o que vocês fariam?
Bom, um amigo de um amigo meu, conhece um cara que tem um primo que passou por algo assim. O que irei postar em seguida é um relato de um estranho acontecimento que esse cara presenciou.
UM ACAMPAMENTO DIFERENTE
Era noite, uma noite escura, mas iluminada por estrela. Uma noite
estrelada. Estávamos no meio da floresta, um acampamento. Eu e mais dois
amigos, nossa primeira experiência com acampamento a céu aberto, costumávamos
acampar no jardim de minha casa. Para nos alimentar, comíamos tranqueiras de
casa, quando sentíamos fome, voltávamos para dentro de casa e comíamos algo.
Agora é diferente, estamos no meio da floresta, não há cozinha ou mãe que possa
nos dar comida, ainda bem que eu trouxe muita comida, salgadinhos, bolachas
doces e salgadas, várias latinhas de refrigerante e alguns potes de macarrão
instantâneo.
Estava tudo em perfeita ordem, apenas ouvíamos da floresta o som de
corujas e grilos. Nossa barraca era bem iluminada, jogávamos nosso vídeo game
portátil de última geração. Estava sendo perfeito, igual ao acampamento nos
jardins de casa. Porém descobrimos da pior forma possível que um acampamento na
floresta pode ser algo terrivelmente assustador. Nosso primeiro obstáculo foi...
a fome.
Comemos todos os salgadinhos e doces, assim como as bolachas. Sobraram
apenas os potes de macarrão instantâneo, mas foi então que nos deparamos com
nosso primeiro desafio: achar água quente para colocar no pote.
Foi então que vimos. Como um flash de uma máquina fotográfica, o céu foi
iluminado por uma cegante luz branca, um clarão momentâneo, até parecia que
fomos atacados por uma granada de flash.
Após o clarão, um tremor, e no céu, uma linha vermelha.
Como bons curiosos de plantão, seguimos a linha vermelha, seguimos no
sentido que parecia estar descendo. Enquanto seguíamos caminho, conversávamos
animadamente sobre o que poderia ter acontecido. Um satélite do governo que
caiu do espaço? Uma nave alienígena? Um cometa? Uma capsula de fuga com um bebe
dentro? Ou quem sabe um ser vivo? Medo? Claro que estávamos com medo, mas a
curiosidade era maior.
Andamos por cerca de 10 minutos, porém não pareceu tudo isso, parecia
que tivéssemos andado alguns passos e achado o objeto. Quando o vimos, ficamos
surpreendentemente... desanimados. Era apenas uma bola de metal do tamanho de
uma bola de golfe. Totalmente lisa, sem nenhuma luz piscante ou
palavras/símbolos estranhos. Completamente chato, sem graça.
Já estávamos nos virando para voltar para o acampamento para pensarmos em
um assunto importante, onde arranjar água quente, quando ouvimos um estalo.
Olhamos em direção a bola e ela havia sido partida ao meio. Ela era oca, mas
não tinha nada dentro, lixo espacial. Maldito governo que joga lixo no espaço.
Atrás de nós se iluminou, uma luz branca com um tom verde vivo. Nos
viramos e deparamos com um humanoide, pelo menos tinha a forma de um humanoide.
Ele, ou ela, tinha um metro e oitenta centímetros, aproximadamente. Não
sabíamos dizer se tinha ou não cabelo pois seu corpo parecia ter sido criado a
partir de uma única coisa, braços e pernas brancas com alguns desenhos que
pareciam tribais de cor verde vivo, não tinha face, apenas olhos, e esses eram
bem visíveis. Seus cabelos, se é que eram cabelos, eram espetados. Até que esse
ser tinha estilo, gostei.
Os desenhos seguiam diretamente para seu peito esquerdo, e um coração
estava desenhado ali. Será que esses desenhos mudam conforme seu batimento
cardíaco? Das linhas mais grossas dos desenhos, saiam finas linhas, como se
fossem veias, não cobria o corpo todo mas dava para ver que aquilo passava
informações para os membros, assim como nosso sistema nervoso.
Tentamos nos comunicar, mas aparentemente, por não ter uma boca, ele não
falava, apenas acenava e fazia gestos, alguns rudes, mas deixamos passar por
ele não ser daqui. Claro que não entendíamos nada do que ele tentava nos dizer,
e provavelmente, ele também não nos entendia.
De verde vivo virou laranja escuro, e o nosso novo amigo começou a olhar
para tudo que é lado, procurando algo. Acho que algo estava para acontecer, e,
como eu queria estar enganado. Vindo de não sei onde, um ser semelhante ao que
estávamos conversando, bom, tentando, atacou-o. Quando finalmente associamos o
que estava acontecendo com nossa segurança, começamos a correr desesperados,
mas a coisa grande não estava atrás de nosso amigo e sim da gente.
Cara, foi muito assustador. Imagine você e seus amigos, correndo o mais
rápido que conseguiam, e isso para um grupo de sedentários era a pior coisa que
podia acontecer, tentando fugir de um aliem de dois metros de altura, todo
branco e com feixes de luz vermelho sangue, corpo humanoide e mãos de garras
iguais às do Wolverine. É, nem um
pouco divertido.
Mas a sorte estava do nosso lado, lembram daquele nosso amiguinho que
foi atacado primeiramente? Então, ele não morreu, para nossa alegria. Ele
surgiu chutando o monstrengo e ele não emanava mais uma cor laranja e sim
amarela e pela expressão dos olhos, ele parecia estar se divertindo, vai
entender.
Não conseguimos ver direito a luta pois eles se moviam muito rápido, mas
uma palavra descrevia a luta deles: psicodélico. Um show de luzes e sons de
corpos se chocando com força, arvores sendo quebradas, buracos sendo abertos,
uma luta digna de jogos.
Vou tentar descrever o pouco que vimos: nosso amigo, vou chama-lo de Spark porque parece que ele veio de uma
faísca, chutava e socava com maestria, parecia treinado em kung fu, seus chutes
eram certeiros. Chutes giratórios vindo de fora para dentro, acertando a cabeça
ou o lado do corpo do Grood, chamei o
grandão disso pois ele era grotesco, e ele revidava com socos pesados e golpes
circulares e curtos com suas garras.
Spark desviava tranquilamente pois a diferença de
tamanhos só ajudava. Spark era rápido
e ágil, já Grood era lento, mas muito
forte e resistente. Uma típica disputa entre velocidade e força. Nosso amigo
usava as árvores para dar impulso e força nos golpes, mas o grandão sempre
destruía as árvores em volta.
Grood começou a perceber que os ataques sem o impulso de
seu adversário só causavam cócegas então ele resolveu destruir todas as árvores
ao seu redor, deixando um campo circular desmatado. Ele ficou no centro do
campo, esperando Spark atacar.
Como sua vantagem de território foi perdida, Spark começou a ficar mais cauteloso. Ele optou pela tática bater e
correr, entrava no alcance do seu inimigo, desviava de um golpe e o golpeava de
volta e logo já saia da área. Spark
fazia bom uso de sua velocidade, acho que ele seria um ótimo lutador de boxe.
Porém uma das investidas não foi como prevera e ele foi acertado em
cheio por um golpe vindo de baixo, da terra. O desgraçado tinha um corpo que se
transformava, droga.
Grood foi até seu adversário, que estava caído no chão,
e o agarrou pelo pescoço. Spark
tentou se soltar, mas em vão. Ele olhou para nós com um olhar suplico,
provavelmente pedindo para que fugíssemos. E como somos os seres mais corajosos
do planeta, nos viramos e saímos correndo.
Quando Spark achou que era seu
fim, um taco de baseball foi quebrado em suas costas, o que não causou efeito
algum, só uma coceira. Grood olhou
para trás e lá estava ele, um de meus amigos, vou chama-lo de amigo 1, com o
toco do taco de baseball, e antes que o grandão pudesse fazer algo, pedras
voaram em sua direção. Claro que não eram pedregulhos nem nada pois eles não
cabem em um estilingue, mas serviram para tirar a atenção do meu amigo e do Spark.
Eu e meu outro amigo, o amigo 2, estávamos atirando pedras no Grood, não que isso fizesse algum efeito
né, porém a reação foi a que queríamos, ele se virou para nós, largou Spark e nos olhou fixamente. Pronto,
íamos morrer. Cinco segundos de sua atenção, era o que queríamos para que o
amigo 1 resgatasse Spark e saíssem
dali.
Mas Grood percebeu nossos
planos e se virou para atacar o amigo 1. Spark
se jogou em Grood e o agarrou
firmemente, olhou para nós com um olhar de gratidão e então olhou para cima,
determinado. Uma forte luz branca veio do céu e os cercou, Grood se agitava, parecia estar com medo, os feixes de luzes
vermelhas ficaram verde escuro, já os de Spark
ficaram verde claro, bem clarinho, suave.
Então, quando a luz se apagou, eles haviam sumido. Tudo que deixaram
para trás foram memórias de uma luta incrível e a destruição na floresta.
Aposto que iriamos receber uma baita de uma multa por causa da destruição.
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