sexta-feira, 9 de outubro de 2015

UM ACAMPAMENTO DIFERENTE

Imagina que louco você ir acampar pela primeira vez com seus amigos, na floresta, de verdade, a noite, com tendas, fogueiras, lanternas e repelentes. Imagina então se algo estranho acontecesse, alguma coisa caindo do céu em plena noite, queimando como uma bola de fogo. E esse negócio cair bem perto do acampamento de vocês, o que vocês fariam?
Bom, um amigo de um amigo meu, conhece um cara que tem um primo que passou por algo assim. O que irei postar em seguida é um relato de um estranho acontecimento que esse cara presenciou.


UM ACAMPAMENTO DIFERENTE

Era noite, uma noite escura, mas iluminada por estrela. Uma noite estrelada. Estávamos no meio da floresta, um acampamento. Eu e mais dois amigos, nossa primeira experiência com acampamento a céu aberto, costumávamos acampar no jardim de minha casa. Para nos alimentar, comíamos tranqueiras de casa, quando sentíamos fome, voltávamos para dentro de casa e comíamos algo. Agora é diferente, estamos no meio da floresta, não há cozinha ou mãe que possa nos dar comida, ainda bem que eu trouxe muita comida, salgadinhos, bolachas doces e salgadas, várias latinhas de refrigerante e alguns potes de macarrão instantâneo.
Estava tudo em perfeita ordem, apenas ouvíamos da floresta o som de corujas e grilos. Nossa barraca era bem iluminada, jogávamos nosso vídeo game portátil de última geração. Estava sendo perfeito, igual ao acampamento nos jardins de casa. Porém descobrimos da pior forma possível que um acampamento na floresta pode ser algo terrivelmente assustador. Nosso primeiro obstáculo foi... a fome.
Comemos todos os salgadinhos e doces, assim como as bolachas. Sobraram apenas os potes de macarrão instantâneo, mas foi então que nos deparamos com nosso primeiro desafio: achar água quente para colocar no pote.
Foi então que vimos. Como um flash de uma máquina fotográfica, o céu foi iluminado por uma cegante luz branca, um clarão momentâneo, até parecia que fomos atacados por uma granada de flash. Após o clarão, um tremor, e no céu, uma linha vermelha.
Como bons curiosos de plantão, seguimos a linha vermelha, seguimos no sentido que parecia estar descendo. Enquanto seguíamos caminho, conversávamos animadamente sobre o que poderia ter acontecido. Um satélite do governo que caiu do espaço? Uma nave alienígena? Um cometa? Uma capsula de fuga com um bebe dentro? Ou quem sabe um ser vivo? Medo? Claro que estávamos com medo, mas a curiosidade era maior.
Andamos por cerca de 10 minutos, porém não pareceu tudo isso, parecia que tivéssemos andado alguns passos e achado o objeto. Quando o vimos, ficamos surpreendentemente... desanimados. Era apenas uma bola de metal do tamanho de uma bola de golfe. Totalmente lisa, sem nenhuma luz piscante ou palavras/símbolos estranhos. Completamente chato, sem graça.
Já estávamos nos virando para voltar para o acampamento para pensarmos em um assunto importante, onde arranjar água quente, quando ouvimos um estalo. Olhamos em direção a bola e ela havia sido partida ao meio. Ela era oca, mas não tinha nada dentro, lixo espacial. Maldito governo que joga lixo no espaço.
Atrás de nós se iluminou, uma luz branca com um tom verde vivo. Nos viramos e deparamos com um humanoide, pelo menos tinha a forma de um humanoide. Ele, ou ela, tinha um metro e oitenta centímetros, aproximadamente. Não sabíamos dizer se tinha ou não cabelo pois seu corpo parecia ter sido criado a partir de uma única coisa, braços e pernas brancas com alguns desenhos que pareciam tribais de cor verde vivo, não tinha face, apenas olhos, e esses eram bem visíveis. Seus cabelos, se é que eram cabelos, eram espetados. Até que esse ser tinha estilo, gostei.
Os desenhos seguiam diretamente para seu peito esquerdo, e um coração estava desenhado ali. Será que esses desenhos mudam conforme seu batimento cardíaco? Das linhas mais grossas dos desenhos, saiam finas linhas, como se fossem veias, não cobria o corpo todo mas dava para ver que aquilo passava informações para os membros, assim como nosso sistema nervoso.
Tentamos nos comunicar, mas aparentemente, por não ter uma boca, ele não falava, apenas acenava e fazia gestos, alguns rudes, mas deixamos passar por ele não ser daqui. Claro que não entendíamos nada do que ele tentava nos dizer, e provavelmente, ele também não nos entendia.
De verde vivo virou laranja escuro, e o nosso novo amigo começou a olhar para tudo que é lado, procurando algo. Acho que algo estava para acontecer, e, como eu queria estar enganado. Vindo de não sei onde, um ser semelhante ao que estávamos conversando, bom, tentando, atacou-o. Quando finalmente associamos o que estava acontecendo com nossa segurança, começamos a correr desesperados, mas a coisa grande não estava atrás de nosso amigo e sim da gente.
Cara, foi muito assustador. Imagine você e seus amigos, correndo o mais rápido que conseguiam, e isso para um grupo de sedentários era a pior coisa que podia acontecer, tentando fugir de um aliem de dois metros de altura, todo branco e com feixes de luz vermelho sangue, corpo humanoide e mãos de garras iguais às do Wolverine. É, nem um pouco divertido.
Mas a sorte estava do nosso lado, lembram daquele nosso amiguinho que foi atacado primeiramente? Então, ele não morreu, para nossa alegria. Ele surgiu chutando o monstrengo e ele não emanava mais uma cor laranja e sim amarela e pela expressão dos olhos, ele parecia estar se divertindo, vai entender.
Não conseguimos ver direito a luta pois eles se moviam muito rápido, mas uma palavra descrevia a luta deles: psicodélico. Um show de luzes e sons de corpos se chocando com força, arvores sendo quebradas, buracos sendo abertos, uma luta digna de jogos.
Vou tentar descrever o pouco que vimos: nosso amigo, vou chama-lo de Spark porque parece que ele veio de uma faísca, chutava e socava com maestria, parecia treinado em kung fu, seus chutes eram certeiros. Chutes giratórios vindo de fora para dentro, acertando a cabeça ou o lado do corpo do Grood, chamei o grandão disso pois ele era grotesco, e ele revidava com socos pesados e golpes circulares e curtos com suas garras.
Spark desviava tranquilamente pois a diferença de tamanhos só ajudava. Spark era rápido e ágil, já Grood era lento, mas muito forte e resistente. Uma típica disputa entre velocidade e força. Nosso amigo usava as árvores para dar impulso e força nos golpes, mas o grandão sempre destruía as árvores em volta.
Grood começou a perceber que os ataques sem o impulso de seu adversário só causavam cócegas então ele resolveu destruir todas as árvores ao seu redor, deixando um campo circular desmatado. Ele ficou no centro do campo, esperando Spark atacar.
Como sua vantagem de território foi perdida, Spark começou a ficar mais cauteloso. Ele optou pela tática bater e correr, entrava no alcance do seu inimigo, desviava de um golpe e o golpeava de volta e logo já saia da área. Spark fazia bom uso de sua velocidade, acho que ele seria um ótimo lutador de boxe.
Porém uma das investidas não foi como prevera e ele foi acertado em cheio por um golpe vindo de baixo, da terra. O desgraçado tinha um corpo que se transformava, droga.
Grood foi até seu adversário, que estava caído no chão, e o agarrou pelo pescoço. Spark tentou se soltar, mas em vão. Ele olhou para nós com um olhar suplico, provavelmente pedindo para que fugíssemos. E como somos os seres mais corajosos do planeta, nos viramos e saímos correndo.
Quando Spark achou que era seu fim, um taco de baseball foi quebrado em suas costas, o que não causou efeito algum, só uma coceira. Grood olhou para trás e lá estava ele, um de meus amigos, vou chama-lo de amigo 1, com o toco do taco de baseball, e antes que o grandão pudesse fazer algo, pedras voaram em sua direção. Claro que não eram pedregulhos nem nada pois eles não cabem em um estilingue, mas serviram para tirar a atenção do meu amigo e do Spark.
Eu e meu outro amigo, o amigo 2, estávamos atirando pedras no Grood, não que isso fizesse algum efeito né, porém a reação foi a que queríamos, ele se virou para nós, largou Spark e nos olhou fixamente. Pronto, íamos morrer. Cinco segundos de sua atenção, era o que queríamos para que o amigo 1 resgatasse Spark e saíssem dali.
Mas Grood percebeu nossos planos e se virou para atacar o amigo 1. Spark se jogou em Grood e o agarrou firmemente, olhou para nós com um olhar de gratidão e então olhou para cima, determinado. Uma forte luz branca veio do céu e os cercou, Grood se agitava, parecia estar com medo, os feixes de luzes vermelhas ficaram verde escuro, já os de Spark ficaram verde claro, bem clarinho, suave.
Então, quando a luz se apagou, eles haviam sumido. Tudo que deixaram para trás foram memórias de uma luta incrível e a destruição na floresta. Aposto que iriamos receber uma baita de uma multa por causa da destruição.

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